Profissionais

Como contratar seu primeiro funcionário sem se perder no caminho

Chega uma hora em que fazer tudo sozinho deixa de ser uma escolha e vira um problema. Contratar pela primeira vez assusta — mas menos do que parece quando você divide em etapas.

Primeira contratação para profissionais autônomos

Chega uma hora em que fazer tudo sozinho deixa de ser uma escolha e vira um problema. Os clientes estão chegando, a agenda está cheia, e você percebe que está recusando atendimento não por falta de demanda, mas por falta de braço. É aí que a ideia de contratar alguém sai do campo do "um dia" e entra no campo do "precisa acontecer agora."

O problema é que contratar pela primeira vez assusta. Bate dúvida sobre o que é legal fazer, como encontrar a pessoa certa, o que perguntar numa entrevista. E aí muita gente adia. Continua sobrecarregada, perdendo clientes.

Esse artigo existe pra desfazer esse nó.

Antes de postar a vaga, descreva o que você realmente precisa

Muita gente pula essa etapa e vai direto pra vaga. O resultado costuma ser uma pilha de currículos sem critério nenhum de filtro. Antes de qualquer coisa, senta e escreve o que você de verdade precisa que essa pessoa faça. Não basta "ajudar no salão" — quais tarefas, em quais horários, o que ela precisa saber e o que você topa ensinar do zero.

Expectativas que nunca foram ditas em voz alta são a raiz de quase toda contratação que dá errado.

Com isso no papel, a vaga escreve sozinha. E na hora da entrevista você vai saber o que está procurando antes da pessoa sequer sentar na sua frente.

Sobre onde divulgar, indicação de colega de área ainda bate qualquer plataforma pra serviços técnicos como estética e cabelo. O grupo de WhatsApp da área também funciona bem. Pra perfil mais voltado a atendimento ou recepção, o Indeed tem postagens gratuitas e costuma trazer volume. Uma coisa que pouca gente faz e que ajuda bastante é colocar os horários reais no anúncio, sábado incluído se for o caso. Filtra antes de chegar em você e economiza entrevista com gente que não pode trabalhar quando você precisa.

MEI ou CLT: o que muda na prática

Tem uma confusão recorrente que vale resolver de cara: o MEI pode, sim, contratar um funcionário com carteira assinada. A Lei Complementar 123/2006 permite um empregado CLT por MEI, com salário no mínimo nacional ou no piso da categoria. Os encargos são reduzidos: 3% de INSS patronal e 8% de FGTS sobre o salário, mais as provisões de 13º, férias e multa rescisória. Só quando o negócio precisar de um segundo funcionário é que entra a conversa de migrar pra Microempresa, o que muda o regime tributário e tem custo maior por mês.

A alternativa à CLT é contratar um autônomo, que emite nota pelo serviço. Funciona bem pra demanda pontual. O risco surge quando essa pessoa passa a ir todo dia, no mesmo horário, seguindo as suas regras. Aí já tem cara de vínculo empregatício na prática mesmo sem papel nenhum, e isso pode virar processo trabalhista lá na frente.

Uma coisa que bastante gente desconhece é o contrato de experiência. A CLT permite até 90 dias justamente pra você avaliar antes de firmar um contrato por tempo indeterminado. Dá pra dividir em dois momentos: trinta dias e depois mais sessenta, se ainda não tiver certeza no meio do caminho. Na primeira contratação, isso tira bastante o peso de "e se eu errar na pessoa".

Pra qualquer decisão, uma conversa rápida com um contador vale muito. O custo da consulta é bem menor do que o de um processo trabalhista.

O que perguntar na entrevista

Pergunta abstrata não funciona. Qualquer pessoa diz que é organizada, que é proativa, que trabalha bem em equipe. Em vez disso, pede um exemplo real. "Me conta uma vez em que você tinha muita coisa pra resolver ao mesmo tempo e como você fez." A resposta vai ser real porque se baseia em uma situação concreta.

Vale também entender como a pessoa lida quando erra algo e o que faz quando o chefe não está por perto. Não tem resposta certa nem errada, mas as respostas mostram se ela se encaixa no seu jeito de trabalhar.

Os primeiros dias determinam muito do que vem depois

Tem dois prazos legais que pegam muita gente de surpresa.

O primeiro é o eSocial. O cadastro de admissão (evento S-2200) deve ser enviado até o dia anterior ao início das atividades. Se o funcionário começa na segunda, você envia até domingo às 23h59. Esse é o que mais gente erra, porque parece razoável esperar uns dias pra ver se a pessoa fica de vez. Não dá. Trabalhar sem estar no eSocial conta como trabalho sem registro, e isso pesa contra você se rolar qualquer problema trabalhista lá na frente.

O segundo é a CTPS. Hoje, a Carteira de Trabalho é digital e o registro é alimentado automaticamente pelo eSocial assim que a admissão é registrada. Em até 48 horas o vínculo aparece no aplicativo do funcionário, sem precisar de anotação manual. Se ainda for usar CTPS física por algum motivo, a empresa tem 5 dias úteis pra anotar e devolver — prazo definido pela Lei da Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019), que alterou o art. 29 da CLT. A regra antiga das 48 horas continua valendo só pra outra coisa: o prazo máximo em que o trabalhador deve enxergar a anotação no app da CTPS Digital.

Pessoa que entra sem clareza sobre o que se espera dela vai demorar pra render. Ou vai embora antes de chegar lá.

Uma semana com tarefas progressivas e espaço real pra tirar dúvidas faz uma diferença enorme no resultado.

E, desde o primeiro dia, a organização da agenda precisa funcionar pra todo mundo. Cada profissional tem que enxergar seus próprios horários sem precisar perguntar no grupo do WhatsApp se alguém está livre. O AgendaHub resolve isso. Cada pessoa tem sua própria agenda, e o dono vê tudo de cima. O que cabia na sua cabeça agora cabe num lugar que todo mundo acessa.

O primeiro é sempre o mais difícil

Contratar pela primeira vez assusta menos do que parece quando você divide em etapas. O peso vem de ser a primeira vez, só isso. A primeira vez de qualquer coisa parece pior do que é.

Daqui pra frente fica mais fácil.

Referências

  • Tom Janz

    Tom Janz

    Psicólogo industrial-organizacional canadense-americano. Formalizou a entrevista comportamental no paper Initial comparisons of patterned behavior-based interviews versus unstructured interviews (1982) e consolidou o método no livro Behavior Description Interviewing (1986), que virou padrão em seleção de pessoal.

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